Os erros de gestão que reduzem a produtividade dos seus médicos

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A administração hospitalar envolve inúmeras tarefas, como a preocupação com dezenas de pessoas, fornecedores e empresas terceirizadas. Diante de tamanho dinamismo, cuidar da rotina de um hospital não poderia ser uma tarefa simples, qualquer propensão ao erro deve ser minimizada.

Além da gestão de recursos para atendimento aos pacientes, que envolve estoque de medicamentos, planejamento nutricional, gerenciamento de laudos, entre as mais diversas ocupações, gerenciar os profissionais que fazem a engrenagem hospitalar mover-se é ainda mais primordial para o sucesso das operações.

A negligência da necessidade de informatização hospitalar, a falta de padronização de processos e as insistentes falhas de comunicação são apenas alguns dos erros de gestão que impactam diretamente na produtividade do corpo clínico.

Porém, em países como o Brasil, embora exista o comprometimento por parte da maioria dos médicos em atividade, estes, por sua vez, são diariamente confrontados com a escassez de recursos para desempenho de suas tarefas e, frequentemente, acometidos pela sobrecarga de trabalho, pela dificuldade de comunicação e falta de tecnologia na aquisição de informações importantes. Diante desse cenário, falhas tendem a ocorrer com frequência.

Mas, existe uma forma de evitá-las? Entenda a seguir como os erros da gestão hospitalar impactam no cotidiano, além da apresentação de novas práticas para potencializar a produtividade dos seus médicos.  

Impacto dos erros de gestão hospitalar

Uma pesquisa realizada pela FIOCRUZ mostra que o índice de evitabilidade dos erros que ocorrem dentro dos hospitais brasileiros pode chegar a até 73% dos casos. Entre os principais erros estão problemas como medicações trocadas por descuido de médicos e enfermeiros, além de infecções acometidas por falta de assepsia e falhas no processo cirúrgico.

Se, de um lado, grande parcela dos erros vem dos setores de enfermagem e de centros cirúrgicos, de outro lado, a classe médica poderia justificar tais falhas pela falta de mecanismos facilitadores da resolução desses problemas.

É comum, principalmente em hospitais públicos, que esses profissionais enfrentem jornadas de trabalho contemplando um grande volume de horas e careçam de um espaço de repouso confortável, potencializando a manifestações de stress, ansiedade e cansaço, que podem impactar diretamente na forma como realizam o atendimento dos pacientes.

Além disso, ações simples, como a informatização das informações, o uso de tecnologia no processamento de dados e até mesmo melhores instalações para melhor higienização de equipamentos e das mãos poderiam evitar queda no estado de saúde dos pacientes e mortes decorrentes de falhas médicas de fácil prevenção.

Gestão de pessoas & produtividade

Com os avanços na medicina, o advento da tecnologia é cada vez maior na precisão nos laudos, também é cada vez maior a preocupação com a ocorrência de erros de prática médica. Para que o problema tenha uma diminuição significativa, porém, é necessário o direcionamento dos esforços da administração hospitalar principalmente para que diz respeito à evitar os erros de gestão  e suas preocupantes, consequências para o funcionamento do hospital e para o atendimento ao paciente.

É responsabilidade dos gestores da unidade de saúde fazer como que o hospital atinja as metas de desempenho e crescimento, garantir a eficiência dos serviços prestados pelos profissionais e  a satisfação e segurança dos pacientes.

Embora as consequências de um erro de gestão não sejam tão imediatas para o paciente como um erro médico, falhas administrativas podem, indiretamente, impactar na forma como são realizados os procedimentos médicos e, interferir negativamente na experiência dos enfermos, eventualmente trazendo consequências drásticas. Por exemplo, uma simples falha na comunicação entre a equipe, que pode ser ocasionada por conta de informações descentralizadas ou imprecisas, pode acarretar na lentidão dos processos e na suscetibilidade de médicos e enfermeiros ao erro.

Para assegurar a performance hospitalar, podem ser utilizados alguns indicadores de desempenho como instrumentos, fundamentais para medir a produtividade e obter informações relevantes para otimização dos processos internos. Entre eles, podemos destacar a disponibilidade de recursos de atendimento ao paciente, a quantidade de profissionais especializados em cada área de especialização, a informatização das informações e da comunicação interna, a eficácia na assistência hospitalar (quantidade de doentes atendidos, tempo médio de espera em prontos-socorro, etc).

Além disso, é importante a análise de dados quantitativos, como taxas de infecção hospitalar, mortalidade e índices de satisfação de pacientes e familiares. Se considerados antes da tomada de decisão, esses indicadores contribuem para uma gestão hospitalar mais eficiente, para a melhoria dos serviços prestados e, a longo prazo, para o aumento da receita da unidade uma vez que, uma instituição de saúde reconhecidamente eficiente tende a tornar-se referência entre profissionais, pacientes e empresas parceiras.

5 erros de gestão que impactam na produtividade dos profissionais

Nesse sentido, saber identificar e, principalmente, prevenir erros de gestão é o primeiro passo para potencializar resultados através da gestão hospitalar.  Entre os erros mais comuns estão aqueles que diminuem a produtividade dos corpo clínico e, consequentemente, a eficiência no atendimento e no potencial de lucratividade. São eles:

  • Negligenciar a informatização hospitalar

A tecnologia já se tornou a grande aliada dos administradores de negócios. Hoje, a gestão de informações e dados é facilitada, principalmente, pela existência de softwares que reúnem e processam informações essenciais para facilitar a mensuração de resultados e a tomada de decisão de gestores.

Dentro de hospitais, é possível utilizar indicadores de produtividade por meio de softwares e dashboards que ajudam a garantir que médicos cumpram com as metas estabelecidas e que o estabelecimento possa qualificar suas performance e, se necessário,  propor melhorias em cada setor.

  • Desconsiderar o bem-estar no ambiente de trabalho

Não é coincidência que nas maiores empresas do mundo os profissionais tenham liberdade de fazerem o que gostam. Em uma função que exige tanto conhecimento técnico como fibra emocional para lidar com situações extremas, é muito importante que o médico sinta-se motivado a cumprir com suas tarefas.

Para isso, além de garantir a integridade física, respeitando os horários de descanso e lazer, é importante dar aos profissionais a oportunidade de fazerem o que gostam. Ações simples, como reuniões descontraídas, instalação de áreas de lazer e até mesmo acomodações mais confortáveis podem ser  definitivos para a melhoria de produtividade e satisfação.

  • Falhas de gestão de recursos humanos

Fazer um planejamento de recursos humanos (e seguí-lo à risca) é fundamental para garantir que objetivos e estratégias da equipe sejam definidos de forma realista. Oferecer planos de crescimento de carreira e reconhecimento por boa performance são, igualmente, táticas que comprovadamente melhoram a motivação dos profissionais dentro de um hospital.

Se possível dedicar à gestão de pessoas a uma empresa especializada em RH pode facilitar ainda mais esses processos, garantindo, desde a contratação, uma atuação alinhada com os requisitos e os princípios internos da instituição, além de não impactar nas rotinas de profissionais  já atuantes no hospital.

  • Falha na comunicação entre as equipes

Um dos principais problemas enfrentados por médicos e enfermeiros é a ausência de um fluxo de informações eficiente.  A consequência de erros de gestão dessa natureza para a equipe médica podem gerar incertezas, imprecisão nas informações encontradas e dificuldades a atuação eficaz do médico ou enfermeiro em sua função.  

Implantar mecanismos de comunicação com alta tecnologia principalmente em setores em que a ausência de comunicação pode trazer risco direto aos pacientes, como as UTIs,  é o primeiro passo para facilitar a execução do trabalho dos profissionais envolvidos.

Entre os recursos a serem considerados estão a telemedicina e os softwares de gestão de dados como, por exemplo, os prontuários eletrônicos, estes, responsáveis por centralizar informações dos pacientes para toda a equipe, além de reduzir o tempo de prescrição e solicitação de exames.

Enquanto o segundo é essencial para otimizar o fluxo de informações, o primeiro permite uma  integração muito maior entre diferentes áreas do hospital, reduzindo falhas e permitindo o compartilhamento de conhecimento entre as equipes.

  • Ausência de padronização nos processos

Da mesma forma que existem os protocolos médicos, baseados no conhecimento científico, os processos hospitalares devem possuir mapeados os fluxos de trabalho de forma detalhada. Afinal, sem processos estabelecidos a organização de tarefas torna-se, praticamente, impossível.

Negligenciar os processos hospitalares impede que as tarefas sejam realizadas de maneira padronizada e dificulta a busca por dados, informações relevantes sobre pacientes e até mesmo a identificação de eventuais erros praticados no exercício de suas funções.

O uso de softwares de gestão e automatização hospitalar, mais uma vez, aparece como uma solução atrativa para hospitais que desejam manter a documentação das ações realizadas  e prezem por uma constante de qualidade de assistência médica. A desorganização dos processos é facilmente percebida por clientes e empresas parceiras, podendo impactar não apenas na produtividade dos profissionais, mas na reputação do hospital enquanto unidade administrativa.

 

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