Melhores práticas no relacionamento com o corpo clínico

Tempo de leitura: 5 minutos

Quando pensamos em uma unidade de saúde, é comum que a primeira imagem projetada em nossa mente seja a de um médico. O corpo clínico de uma instituição representa muito mais do que os profissionais responsáveis pelo tratamento dos pacientes.

Cada colaborador possui um protagonismo único dentro do hospital, no entanto, como os médicos são uma espécie de frontman da instituição, são eles que serão lembrados pelos pacientes, e seu atendimento irá balizar o nível de satisfação com o tratamento.

Por isso é  preciso muito cuidado para lidar com os conflitos internos, desafios da rotina e com a qualidade do atendimento feito por eles.

Neste post pretendemos abordar algumas estratégias para melhorar os níveis de relacionamento do corpo clínico, tanto internamente quanto com agentes externos, como gestores, pacientes e demais profissionais da instituição.

Engajamento com a instituição através de um programa de relacionamento interno

Uma das formas encontradas pelas instituições de saúde para engajar seu corpo clínico nas questões internas foi através da concepção de planos de pontuação. Esses projetos são formulados com o intuito de premiar os médicos que participam das atividades internas promovidas pela empresa.

O sistema de pontuação permite que a instituição mensure a intensidade do envolvimento do médico com a missão e sua organização interna. O esquema de pontos pode abranger ações como:

  • participação nas reuniões
  • elogios de pacientes (reclamações podem ser incluídas também)
  • publicação de trabalhos científicos
  • participações em congresso, entre outros.

Apesar de muitos desses pontos não serem relacionados diretamente com questões que abrangem o relacionamento do corpo clínico, a empresa que demonstra interesse em premiar os profissionais engajados desperta neles a vontade de participar, algo fundamental para que os níveis de relacionamento sejam otimizados.

Vale ressaltar que algumas empresas premiam o corpo clínico adotando a remuneração variável como forma de motivar os médicos a serem mais atenciosos e eficientes na rotina de trabalho.  

Corpo clínico: incentivo ao atendimento humanizado

Apesar de parecer uma premissa básica, o atendimento humanizado ainda se encontra longe de ser uma unanimidade. Ainda existem inúmeras instituições que recebem queixas sobre o tratamento concedido pelos profissionais, desde atendentes até os médicos.

O atendimento humanizado tem como objetivo o foco total no ser humano e na dissolução das agonias que surgem durante sua experiência como paciente.

A fragilidade causada pela presença de uma patologia é atenuada com um tratamento reconfortante e que seja movido pela empatia.

A prática desse tipo de atendimento é um diferencial competitivo e tem diversos desdobramentos positivos diretos, como a fidelização de pacientes e melhoria da imagem da empresa, além de outros mais “íntimos” como a reflexão de cada profissional sobre sua forma de atuar e pontos que podem ser melhorados.

Aplicar o atendimento humanizado junto aos pacientes é um ponto de partida para levantar questões envolvendo o relacionamento interno, afinal, se é possível ser mais “humano” com os pacientes, é possível aplicar este mesmo tratamento aos pares profissionais e colegas de outros setores.

Investimentos em comunicação interna

Um dos erros cometidos por alguma unidades de saúde é não dar o devido valor aos processos internos de comunicação. Se comunicar é a chave para o bom relacionamento, por isso é importante que a empresa pondere a criação de campanhas internas que envolvam o trabalho de profissionais do RH, Comunicação e o Corpo Clínico.

É possível criar ações específicas para os médicos, nos quais sejam abordados os pontos mais importantes de sua rotina e as dificuldades de relacionamento.

Levando-se em conta os diferentes turnos de trabalho, a instituição deve pensar em alternativas para manter o seu corpo clínico ciente dos principais acontecimentos do hospital.

Isso parte desde aspectos macros, como a ideologia do negócio (missão, visão e valores), até questões relacionadas ao dia a dia como datas comemorativas e informes sobre regras e condutas, passando por notícias e novidades da empresa.

Mesmo que seu core business seja a saúde, vale a pena investir em setores auxiliares, como a comunicação. Quais são os canais oficiais de comunicação entre o hospital e seus colaboradores, incluindo o corpo clínico? Quem fomenta estes canais com notícias? Com uma comunicação interna bem estabelecida é possível melhorar os processos internos e, por consequência, os resultados expressados pela empresa e seus médicos.

Atenção aos setores que trabalham junto ao corpo médico

Melhorias no relacionamento podem ser alcançadas através de melhorias nos processos de trabalho. a rotina estressante dos médicos já é um belo combustível para conflitos, quando existem processos mal definidos (que incluem o corpo clínico e outros setores como enfermaria, farmácia ou diagnóstico) a possibilidade de problemas cresce ainda mais.

A empresa precisa olhar com atenção para todas as áreas e compreender que o ciclo de trabalho envolve não só o corpo clínico. Otimizar questões exclusivas dos médicos pode deixar outros setores à margem da melhoria, e isso significa mais combustível para reclamações internas e desentendimentos, que podem inclusive envolver pacientes.

Olhar para a instituição como um todo é o primeiro passo para gerar um ambiente de trabalho progressista, harmônico e no qual haja uma incidência cada vez menor de problemas de relacionamento. A organização de um simples coffee break para reunir toda a equipe aliado a uma dinâmica de integração, oferece ótimos resultados na melhoria dos relacionamentos internos.

Essas são algumas práticas que fazem toda a diferença para a construção de relacionamentos saudáveis e práticas mais positivas de integração do corpo clínico, melhorando exponencialmente o clima interno do hospital e refletindo em um melhor atendimento aos pacientes.

Não deixe de assinar a nossa newsletter para receber periodicamente novos artigos sobre gestão hospitalar e reflexões sobre práticas aplicadas no setor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *